Oração: Como um Wiccano ora?

 


Oração

Esse é um tema que simplesmente não aparece com a frequência que deveria nos textos de wicca introdutária. Digo que deveria surgir mais (esse tema) pois é uma dúvida frequente e válida: Afinal como me relacionar com os Deuses na Wicca? Posso me dirigir a eles quando não estou com vestimentas rituais, atrás de um altar específico na natureza? Eles vão me ouvir? Falarão comigo?


Claro que sim! Na wicca, segundo Scott Cunningham (1956-1993), o ritual é uma estrutura na qual a oração e a magia acontecem. Mas orar não é apenas um ato ritualístico. Podemos orar a qualquer hora, e utilizar nossas conexões com a Deusa e o Deus, contatá-los para assistência e auxílio.


Então, como funciona a oração de um(a) bruxo(a)?

Primeiramente é interesse compreendermos que, se estamos aprendendo sobre a wicca e a bruxaria saindo de uma outra religião, provavelmente você vai compreender que existe um processo de desconstrução envolvido nesse aprendizado. Pois antes, dependendo de qual fé você está vindo, poderia ser diferente a forma de se relacionar com o divino. Pois muitas religiões pregam que nossos corpos, atitudes, maneira de falar e de ser são nojentas e erradas, ensinam que as divindades tem total aversão a o que somos. Isso faz com que as pessoas neguem a si mesmas e virem seus olhos aos céus quando procuram o divino.


A maioria dos wiccanos, entretanto, aceita que a Deusa e o Deus estão dentro de nós mesmos, assim como estão fora. Já que tudo na natureza está conectado através de energias sutis, mas reais, então estamos ligados a eles também.


Compreendemos com isso que a Deusa e o Deus estão impregnados em nosso ser.


Nós construímos uma familiaridade com a centelha divina dentro de nós através do ritual, da meditação e da oração. É durante esses momentos que expandimos a nossa consciência além do mundo físico, que a energia divina interior eleva-se e preenche a nossa consciência. Embora a gente costume "chamar" a Deusa e o Deus na realização de um momento ritual, na verdade estamos nos tornando centrados na presença deles dentro de nós novamente. Uma vez que isso aconteça, podemos nos tornar conscientes de suas formidáveis presenças além de nós mesmos.


A oração é o processo de sintonizar-se e comunicar-se com a Deusa e o Deus. Durante a oração, devemos chamá-los da Lua, do Sola, e das estrelas, dos mares, dos desertos e cavernas, das tocas dos animais selvagens; da própria Terra: mas o chamado deve antes mover-nos, renovar a nossa consciência da Deusa e do Deus interiores, antes de entrar em contato com as divindades manifestadas universalmente.


Como começar?

Podemos ver uma penca de bananas penduradas em uma árvore e sentir uma imensa vontade de comer uma delas. Entretanto, até estreitarmos nosso foco em apenas uma banana, aproximar-nos e puxá-la da penca, não vamos satisfazer o nosso desejo. Na oração, devemos estreitar o nosso foco, primeiro na Deusa e no Deus internos, antes de contatarmos uma compreensão maior Deles.


O foco inicial pode ser realizado com palavras, visualizações, cantos ou por outros meios. Não existem regras que ditam isso, embora eu apresente aqui algumas experiências minhas. Experimente descobrir a técnica mais efetiva para si mesmo.


Para começar, é interessante que você assuma uma atitude devocional, buscando orar e falar com os Deuses diariamente, não apenas quando precisar de algo deles. Crie o hábito de sempre honrá-los através de suas palavras e atitudes.


Eu costumava ascender uma vela, ou sentar na cama, e falar com os Deuses como se eles estivessem ali na minha frente. Conversava exatamente como se falasse com um amigo. Falava o que eu estava sentindo, pensando. Falava o que eu achava que precisava. Pedia orientação. É muito intuitivo. 


Quando eu queria conversar com uma divindade específica, tipo Arianrhod, eu lia sobre o mito dela, tentava compreender os ensinamentos por trás das histórias. Procurava saber mais dela, tipo que cor costuma ser mais associado a ela, qual cheiro de incenso, qual pedra, e juntava tudo isso em um lugarzinho, tipo como um presente, e oferecia a ela. Como quando você visita alguém e leva um presente. 


Lembro que, no começo, precisei me desconstruir da sensação que eu não era digno de falar com um Deus ou Deusa. Porque isso não é verdade. Como diz a carga: "Eu sou o Deus, eu sou o bruxo [...]".


Então essas são as dicas e orientações que gostaria de compartilhar com vocês.

Indico a leitura do livro Vivendo a Wicca, de Scott Cuninghan.


Bênçãos do Sagrado Casal!

Sacerdote Damon Aiden.

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