Bruxos fazem feitiços para o mal?

 


Primeiramente devemos compreender necessariamente a noção de bem e mal. Longe de tentar relativizar um e outro, pretendo aqui promover uma reflexão sobre essa dualidade. A wicca não é uma religião maniqueísta em que há uma divindade que abarque todos os aspectos benevolentes da natureza e outra que contenha todos os aspectos cruéis e destrutivos.

Os Deuses (ou o Casal Divino) que cultuamos possuem em si ambos os aspectos, porque é dessa relação interdependente que a vida se constrói. Porém, aquilo que muitas culturas consideram bem e mal, na verdade corresponde a forças construtivas e destrutivas da natureza. Para determinadas culturas a morte, a doença, a velhice, o declínio, a guerra são consideradas forças do mal implantadas na terra como castigo divino. Feitiços que visam a morte de alguém podem com facilidade serem considerados maléficos. Mas e se o alvo for um tirano (ou ditador) que deseja dizimar grupos sociais por puro preconceito ou sadismo? Ou um serial killer pedófilo (sendo bem extremo no exemplo) que está aterrorizando um bairro ou uma cidade? Todos nós aprendemos valores de preservação a vida, mas também aprendemos a necessidade de nos defendermos, quando preciso. Mas também somos ensinados que para cada ação há uma reação. Na Wicca, nos submetemos à Lei Tríplice e ao Conselho Wiccano, isso não quer dizer que aceitaremos ameaças à nossa vida ou a de quem amamos de forma passiva. Porém, a magia entra em ação quando os demais recursos possíveis se esgotam. Magia ofensiva não é a primeira atitude tomada por bruxos (Wiccanos), nem é feita deliberadamente sem que haja motivo justo.

Outro ponto é que às vezes há maldades travestidas de boas ações. Quando alguém ora pedindo minha conversão, para me encaixar em seus padrões (muitas vezes patriarcais, misóginos, homofóbicos, etc), está tentando interferir no meu livre arbítrio sobre algo que me faz bem e feliz. O que isso representa em essência?

A questão é complexa. É certo que existem feitiços nocivos, sim existem magias destrutivas, maldições. No fim das contas o que impulsionará a pessoa é sua ética e o que está disposta a suportar como consequência.


Leigh Cerddorion

Elder do Clã de Arianrhod

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