Existem razões pelas quais nós Wiccanos somos não proselitistas, uma delas é o fato de permitir que o desejo do buscador e seu direito de escolha seja assegurado e ao fazê-lo, torna-se claro foi de livre e espontânea vontade. Isso permite ao grupo que se abre tornar ciência dos compromissos que o buscador, por vontade própria, deve assumir e manter.
Embora nossas práticas se insiram no nosso cotidiano, desenvolver-se em seu sacerdócio e no convívio em coven requer uma moeda valiosíssima nos dias e hoje: TEMPO.
1- Desenvolvimento das tarefas referentes a seu estágio sacerdotal
Cada estágio iniciático requer do postulante o cumprimento de uma série de tarefas. Elas são desde leitura de livros, muita escrita que envolvem reflexões, transcrição de textos e rituais, exercícios teóricos etc. Além da parte teórica existe uma série de rituais, vivências e trabalhos mágicos, cada um com objetivos de moldar o futuro iniciado, promover autoconhecimento, autotransformação. O compromisso com seu desenvolvimento pessoal dentro de uma comunidade mágica permite uma atuação eficaz na vivência mágica e na realização dos objetivos de seu coven. E preciso ter sempre em mente que quando você se desenvolve, vc desenvolve seu coven.
2- Manutenção das Rotinas da tradição
Cada tradição possui suas rotinas de conexão com os Deuses, trabalhos mágicos contínuos com finalidades tais como defesa, promoção da saúde etc. Essas rotinas se inserem no seu dia a dia, algumas podendo ser executadas em praticamente qualquer lugar e hora, outras, mais complexas, necessitam de local e horário reservados. A manutenção dessas rotinas reforça a egrégora do coven/tradição e ajuda o todo energeticamente. Da mesma forma que todos os dias precisamos tomar banho, escovar os dentes, nos alimentar bem, limpar a casa, cozinhar, lavar pratos para garantir nossa saúde e a saúde do lar, as rotinas mágicas garantem a saúde energética de sua comunidade.
3- Presença nas reuniões e celebrações
Mais uma vez reforçamos, a escolha foi do buscador. Se vc quer pertencer a uma família, seja parte atuante dela. Estar presente no cotidiano de sua comunidade mágica não é apenas um direito, mas uma obrigação.
lembra do que o encantou quando conheceu pessoas de um coven? Lembra do que o levou a querer pertencer a uma tradição? De todas as razões que o levaram a escolher esse grupo, o desejo e a disposição para conviver são impreteríveis. É na convivência que as necessidades afloram, a confiança se desenvolve e a sombra do outro se revela. É nessa relação que aprendemos a exercer nosso sacerdócio, pois aprendemos a ouvir, a compreender o outro em suas peculiaridades, a respeitar o diferente, a prestar ajuda, dentre elas a mágica, a termos compaixão e a expressar nossa individualidade. É também com a convivência que nos nutrimos dos saberes dos outros, que complementamos nossas habilidades mágicas, nossos conhecimentos. Cada um tem aptidões que são muito úteis nas celebrações em grupo. Há quem tenha habilidades manuais, há quem cozinhe, há quem cante, há quem toque, há quem decore o lugar, quem cria lindas invocações, enfim. A união de todos esses saberem torna mais profunda e transformadora a experiência ritualística e a vivência nos mistérios.
Escolher praticar em grupo implica em direcionar sua experiência mágica no contexto comunitário. Torna-se obrigação a partir do momento de sua aceitação naquela comunidade. Na Wicca, temos por obrigação celebrar os sabbats e os esbats, pelo menos. Se você escolheu ser covener (membro de coven), tem de se esforçar para estar presente nas celebrações de seu grupo porque foi seu compromisso firmado, sua palavra empenhada e palavra, em termos mágicos é poder.
4- Cumprimento dos compromissos relativos ao seu grau iniciático
Podemos neste ponto fazer um paralelo com a família e seus membros. Aos que acabam de chegar cabem irem se adaptando, conhecendo e aos poucos, à medida que crescem, recebendo atribuições, devido sua idade, grau de amadurecimento etc. Em uma comunidade mágica, cada pessoa tem seus compromissos dado seu estágio iniciático. Esses compromissos aumentam à proporção que se avança nos estágios. Cada tradição determina o que cabe a cada etapa de iniciação e uma vez que você a escolher deve fazer sua parte no que se refere a seu sacerdócio e ao auxílio da comunidade em que pertence.
5- Compromisso com seu desenvolvimento mágico
Não somos bruxos porque nascemos bruxos, da mesma forma que não nascemos professores, pais, mães, médicos, cozinheiros, agricultores etc. Somos porque escolhemos ser. E deve ser compromisso de cada bruxo, assim como de cada profissional, buscar melhorar, aperfeiçoar-se em seu ofício. Da mesma forma que uma graduação não garante a qualidade e a perícia de um médico, professor, arquiteto, não será a iniciação por si que fará de você um bom sacerdote. Lembre-se, iniciação é um termo autoexplicativo, seu sacerdócio começa a partir dela e se desenvolve no cumprimento de suas rotinas, de suas obrigações mágicas e de seu contínuo estudo e prática. Estudar é premissa do(a) bom(a) sacerdote(isa) porque o seu coven/clã/tradição precisará várias vezes de suas habilidades e quanto mais esmerado estiver, melhores serão os ganhos de sua comunidade.
Esses pontos mostram de uma forma panorâmica, os compromissos que requer um treinamento formal em uma comunidade mágica. É preciso refletir, antes de tudo, se está realmente disposto a compartilhar de sua vida mágica, com a consciência de que conviver não implica apenas em receber, mas também doar: tempo, conhecimento, energia, cumplicidade, presença, amor e confiança. É nessa relação de troca que o sacerdócio se complementa e que tudo que você vivencia pode ser considerado um genuíno serviço aos Deuses.
Sacerdote Leigh Cerddorion
Clã de Arianrhod
